quarta-feira, 13 de junho de 2012

Reblogando - Minha não-culpa

Este post talvez não seja o melhor do mundo, mas foi uma constatação que me fez muito bem, pode fazer bem a outras mães também. E está concorrendo ao Prêmio de Melhor Post do Mundo - Limetree (via MMqD). Espero que gostem..


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Mesmo antes de ser mãe, eu já tinha uma forte tendência a me sentir culpada. Por faltar ao aniversário de uma amiga, por recusar um trabalho, por comer o último pedaço de chocolate, etc ad infinitum.
Semana passada passei dois dias inteirinhos fora, mal vi a pequena de manhã e só voltei à noite. E cheguei a uma conclusão engraçada...

Não me senti culpada. Fiquei um pouco triste de não poder ficar com ela, mas vejam bem, porque EU queria ficar, não porque achava que estava abandonando minha filha. Eu sei que ela fica ótima, obrigada. Sei que chama "mamãe" pela casa, mas sei também que não está sofrendo. Eu é que fico preferindo mil vezes passar a manhã com ela, dar almoço, levar na escolinha. Mas também adoro trabalhar (e preciso, ponto).

A pouca culpa que eu senti foi muito mais por sobrecarregar o marido, esse santo. Porque ele assumiu todo o trabalho até a empregada chegar, levou e buscou na escola, fez tudo que eu faria se estivesse em casa. A Olivia adora ficar com o pai. Quando ele não está, procura, chama papai, aponta pra foto, pega o sapato pra brincar. Imagino que não seja muito diferente do que faz quando eu estou longe.

Eu sei que o grude dela comigo é maior. Se estamos os 3 em casa e eu saio da sala, ela corre atrás: "mamãe, mamãe!". De madrugada quando acorda, "mamãe!" Confesso que, mesmo que às vezes eu fique maluca por não poder nem fazer xixi em paz, adoro. Adoro quando ela vem e me dá um beijo espontâneo. Ou um "uta". Ela me pega pela mão e puxa pra sentar no chão pra brincar junto. Amo. Morro de fofura. E aproveito cada minuto que estamos juntas.

Tenho sorte, são muitos minutos. Trabalho bastante em casa, e tenho conseguido fazer isso só enquanto ela está na escola ou à noite, depois que ela dorme. Trabalho fora também, pelo menos uma vez por semana (nas vacas gordas, 2 ou 3). Às vezes o dia todo, às vezes meio período. Fico chateada quando preciso sair e ela ainda está dormindo. EU fico. EU quero ver aquele sorriso lindo e amassado de sono antes de sair. Ela acorda, pode até me chamar, mas logo se distrai feliz com o pai, ou com a empregada. E nas raras vezes que preciso trabalhar no final de semana? De novo, culpa por deixar o marido sozinho com o pequeno terremoto-Olivia, e pena de não estar lá, na maior farra.

Bom saber que, na imensa maioria das vezes, o que eu sinto não é culpa. É pesar, por não poder fazer o que eu mais queria naquele determinado momento. Confesso (mais uma confissão) que às vezes saio pra passear, fazer alguma coisa pra mim, e vou feliz e sem culpa, sem pesar, e curto. Claro que não estou imune a me sentir culpada em vários momentos, mas acho que me livrei (em parte) do meu histórico de mártir das dores do mundo... Bom pra mim, melhor pra ela. Mãe culpada deve ser um saco.

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